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Custo da hora-máquina: como calcular na sua fazenda

Como calcular o custo da hora-máquina na fazenda: combustível, manutenção, operador e depreciação numa conta simples, e como usar no custo por talhão.

Novembro, plantio andando, trator e plantadeira rodando do amanhecer até a noite. É a época do ano em que as máquinas mais trabalham. E também a época em que menos gente para para pensar quanto custa cada hora que elas trabalham.

A pergunta parece simples: quanto custa uma hora do seu trator? Muita gente responde pelo diesel. "Ele gasta tantos litros por hora, então a hora custa isso." Só que o diesel é uma parte da conta. Tem a manutenção, os pneus, o operador, o seguro e, principalmente, o quanto a máquina perde de valor a cada ano.

Neste artigo a gente mostra como fazer essa conta de um jeito que você consiga repetir, e o que fazer com o número depois que ele estiver na mão.

Por que saber o custo da hora-máquina

Máquina é um dos maiores investimentos de uma fazenda. Mesmo assim, é comum o custo dela ficar escondido. O diesel entra no financeiro como despesa geral, a oficina entra como "manutenção", o salário do operador entra na folha. Tudo é pago, mas ninguém junta as peças.

Sem essa conta, algumas decisões ficam no chute:

  • Custo por talhão incompleto. Você soma semente, adubo e defensivo, mas a operação mecanizada fica de fora ou entra como um valor redondo qualquer.
  • Comprar ou terceirizar. Sem saber o custo da sua hora, não dá para comparar com o preço que o prestador cobra.
  • Trocar ou segurar a máquina. Uma máquina velha pode parecer barata porque já está paga, mas a oficina pode estar custando mais do que a parcela de uma nova.
  • Cobrar serviço para vizinho. Se você presta serviço de plantio ou colheita, precisa saber se o preço cobre o custo de verdade.

Se você ainda não separa os custos por área, vale ler antes custo por talhão: descubra qual área da sua fazenda dá lucro. A hora-máquina é uma das peças que faltam nessa conta.

O que entra na conta

O jeito mais fácil de organizar é separar os custos em dois grupos: os que só existem quando a máquina trabalha e os que existem mesmo com ela parada no barracão.

Custos variáveis: só aparecem quando a máquina roda

  • Combustível. Litros consumidos vezes o preço pago. Aqui a nota do diesel e o horímetro são seus melhores amigos.
  • Lubrificantes e filtros. Óleo de motor, óleo hidráulico, graxa, filtros trocados nas revisões.
  • Manutenção e reparos. Peças, mão de obra da oficina, o conserto que não estava previsto.
  • Pneus e material rodante. Desgastam com o uso, e a troca costuma ser cara.

Custos fixos: correm mesmo com a máquina parada

  • Depreciação. A máquina perde valor todo ano, trabalhando muito ou pouco.
  • Juros sobre o capital. O dinheiro que está no trator poderia estar rendendo em outro lugar, ou você está pagando juros de financiamento por ele.
  • Seguro e licenciamento, quando houver.
  • Abrigo. Galpão, manutenção do espaço, às vezes nem é considerado, mas existe.

E o operador?

O operador pode entrar de duas formas. Se ele só opera aquela máquina, a parte do salário e dos encargos pode ir inteira para a hora-máquina. Se ele faz outras tarefas na fazenda, divida pelo tempo que passa em cada uma. O importante é não deixar de fora e não contar duas vezes.

A conta passo a passo

Os números abaixo são só de exemplo, para mostrar o caminho. Use os seus.

1. Levante as horas trabalhadas no ano. Olhe o horímetro no começo e no fim do período. Digamos que o trator trabalhou 800 horas.

2. Some os custos variáveis do ano. Diesel, óleo, filtros, peças, oficina e pneus. Digamos que tudo deu R$ 96.000. Dividindo por 800 horas, são R$ 120 por hora.

3. Calcule a depreciação. Pegue o valor de compra, tire o valor que você espera vender a máquina no fim da vida útil e divida pelos anos que pretende usá-la. Exemplo: comprou por R$ 500.000, espera vender por R$ 150.000 daqui a 10 anos. São R$ 35.000 por ano.

4. Some os outros custos fixos. Juros sobre o capital, seguro, abrigo. Digamos mais R$ 25.000 no ano. Com a depreciação, o custo fixo fica em R$ 60.000. Dividindo por 800 horas, R$ 75 por hora.

5. Coloque o operador. Se a parte dele que cabe a essa máquina dá R$ 32.000 no ano, são mais R$ 40 por hora.

6. Some tudo. R$ 120 + R$ 75 + R$ 40 = R$ 235 por hora, no exemplo.

Repare numa coisa: se o mesmo trator trabalhasse só 400 horas no ano, o custo fixo por hora dobraria, porque os R$ 60.000 seriam divididos por menos horas. É por isso que máquina parada sai cara. E é por isso que a mesma máquina pode ter um custo por hora bem diferente de uma fazenda para outra.

A depreciação dessa conta é a gerencial, para você decidir. A depreciação contábil e fiscal segue outras regras, então, para o balanço e para o imposto, confirme com o seu contador.

Do custo por hora ao custo por hectare

Saber o custo da hora é metade do caminho. A outra metade é saber quantas horas cada operação leva em cada área.

Se a plantadeira faz um certo número de hectares por hora num talhão, divida o custo da hora por esse rendimento e você tem o custo da operação por hectare. Faça isso para cada operação da safra (preparo, plantio, pulverização, colheita, transporte) e some. Esse é o custo mecanizado do talhão.

Para isso funcionar, o registro do campo precisa dizer qual máquina, quantas horas e em qual área. Não precisa ser complicado. Um apontamento diário com essas três informações já resolve. O que não funciona é tentar lembrar no fim da safra.

Os erros mais comuns

  • Contar só o diesel. É a parte que mais aparece, mas muitas vezes não é a maior.
  • Esquecer a depreciação porque a máquina já está paga. Ela continua perdendo valor e um dia vai precisar ser trocada.
  • Usar o horímetro de cabeça. Anote no começo e no fim de cada período. Uma foto do painel no celular já ajuda.
  • Jogar a oficina em despesa geral. Se não dá para saber qual máquina gerou a nota, também não dá para saber qual delas está ficando cara demais.
  • Calcular uma vez e nunca mais. O preço do diesel muda, a máquina envelhece e a oficina aumenta. Refaça a conta pelo menos uma vez por safra.

Quando a planilha ainda serve

Se você tem uma ou duas máquinas, um operador e lança tudo pessoalmente, uma planilha bem feita dá conta. Uma aba com horímetro, outra com as notas de diesel e oficina por máquina, e uma linha de soma no final.

O problema começa quando a frota cresce. São cinco, dez máquinas, vários operadores, diesel saindo de um tanque da fazenda, oficina própria e terceirizada. Aí a planilha vira várias planilhas, cada um preenche de um jeito, e o número do fim do mês ninguém confia. Nesse ponto, vale olhar o que um sistema de gestão para o agro precisa ter, porque o controle de máquinas está entre os itens que mais fazem diferença.

Como a VEC trabalha

O SGVEC tem os módulos de estoque, compras e financeiro prontos, e na versão para o agro eles conversam com o custo por talhão. O diesel que sai do tanque, a nota da oficina e as horas apontadas no campo vão para a máquina certa e para a área certa, sem digitar tudo duas vezes. Se a sua fazenda tem um jeito próprio de apontar horas ou de dividir o operador entre tarefas, o time ajusta, com escopo, prazo e valor aprovados antes. Veja mais em sistemas para o agronegócio.

Se este plantio deixou a dúvida de quanto as suas máquinas realmente custam, peça uma demonstração. A gente olha a sua operação e mostra, com franqueza, o que dá para organizar antes da colheita.

Perguntas frequentes

O que entra no custo da hora-máquina?

Entram os custos que variam com o uso, como combustível, lubrificantes, peças, pneus e manutenção, e os custos fixos, como depreciação, seguro, juros sobre o capital e a parte do operador. Somando tudo e dividindo pelas horas trabalhadas no ano, você chega ao custo de cada hora.

Como calcular a depreciação de um trator?

Uma forma simples é tirar do valor de compra o valor que você espera vender a máquina no fim da vida útil e dividir o resultado pelo total de horas que ela vai trabalhar nesse período. Para a depreciação contábil e fiscal, as regras são outras, então confirme com o seu contador.

Vale mais a pena ter máquina própria ou terceirizar o serviço?

Depende de quantas horas a máquina trabalha por ano. Com pouco uso, o custo fixo pesa muito em cada hora e o serviço terceirizado costuma sair mais barato. Com o custo da sua hora-máquina calculado, dá para comparar com o preço cobrado por hectare ou por hora.

Preciso de sistema para controlar o custo das máquinas?

Não para começar: um horímetro anotado e as notas de diesel e oficina já permitem fazer a conta numa planilha. O sistema ajuda quando são várias máquinas, vários operadores e você quer ligar a hora-máquina ao custo de cada talhão sem digitar tudo duas vezes.

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