Backup que nunca foi restaurado não é backup
As três perguntas que definem se a sua empresa está protegida, o erro que transforma backup em prejuízo e o teste que você faz este mês.
Pergunte para qualquer empresário se ele tem backup. Praticamente todos dizem que sim.
Agora faça a segunda pergunta: quando foi a última vez que alguém restaurou esse backup e conferiu se os dados estavam lá? O silêncio depois dessa pergunta é a resposta real.
Backup que nunca foi restaurado não é backup. É uma esperança guardada num disco.
As três perguntas que definem se você está protegido
Não precisa entender de tecnologia para responder. Precisa só perguntar a quem cuida do seu servidor, e exigir resposta objetiva.
Onde está a cópia? Se a resposta for "no mesmo computador" ou "num HD aqui do lado", você tem uma cópia, não um backup. Vale contra alguém apagar um arquivo sem querer, e não vale contra nada mais.
De quando é a cópia mais recente? "Ontem à noite" é uma resposta. "Acho que roda automático" não é. Se ninguém sabe a data, ninguém está olhando — e backup que falha costuma falhar em silêncio por meses.
Quem já restaurou, e quando? Essa é a que separa empresa protegida de empresa com sorte. Rotina que nunca foi testada tem uma taxa de falha que surpreende todo mundo no pior dia possível.
A regra 3-2-1, sem jargão
É o padrão que o pessoal de infraestrutura usa, e cabe numa linha: três cópias, em dois tipos de lugar, sendo uma fora da empresa.
Na prática, para uma empresa pequena: o dado original no servidor, uma cópia num dispositivo separado ali mesmo, e uma cópia na nuvem ou num disco que alguém leva embora.
O "fora da empresa" é a parte que quase todo mundo pula, e é justamente a que protege dos acidentes que acontecem de verdade. Backup guardado na sala ao lado do servidor não sobrevive a incêndio, alagamento, furto nem raio. E todos esses são mais comuns do que parece quando você conversa com quem já passou.
O erro que transforma backup em prejuízo
Tem um caso específico que merece parágrafo próprio, porque pega empresa que fez tudo "certo".
Se o disco de backup fica permanentemente conectado ao servidor, e a empresa é atingida por um sequestro de dados, o programa criptografa o backup junto. A empresa descobre que tinha rotina, tinha disco, tinha tudo — e nada disso serve, porque o backup estava acessível pela mesma máquina infectada.
Por isso a cópia de fora precisa ser desconectada ou inacessível a partir do servidor. Pode ser nuvem com credencial separada, pode ser disco que alguém pluga, copia e desconecta. O que não pode é tudo estar ao alcance de quem invadiu.
Quanto dado você aguenta perder, e quanto tempo pode ficar parado
Essas duas perguntas decidem quanto faz sentido gastar — e quase ninguém as faz antes de contratar.
Quanto dado dá para perder? Se o backup é diário, de madrugada, e o problema acontece às cinco da tarde, você perdeu o dia inteiro de lançamentos. Para muita empresa, tudo bem: redigita. Para uma que emite trezentas notas por dia, é um desastre.
Quanto tempo dá para ficar parado? Restaurar leva tempo: achar a cópia, preparar a máquina, subir o sistema, conferir. Pode ser uma hora, pode ser três dias, dependendo de como está montado. Se a sua operação não sobrevive a dois dias parada, isso precisa estar resolvido antes de acontecer, não depois.
Respondidas essas duas, a conversa com o fornecedor muda de "me manda um orçamento de backup" para "preciso perder no máximo X e voltar em no máximo Y". Aí o orçamento vem certo.
O teste que você faz este mês
Não precisa de projeto nem de consultoria. Marque duas horas e peça para fazerem na sua frente:
- Restaurar o backup de ontem em uma máquina separada — nunca por cima do sistema que está rodando.
- Abrir o sistema restaurado e conferir um dado real que você conheça: a última nota emitida, o saldo de um produto, o título de um cliente. Olhar a tela, não o relatório da ferramenta de backup.
- Cronometrar. Anote quanto tempo levou do começo até o sistema utilizável. Esse número é a sua resposta verdadeira para "quanto tempo ficaríamos parados".
Se o teste der certo, você dorme melhor e passou a saber de quanto é o seu prejuízo máximo. Se der errado, você descobriu num dia tranquilo, com tempo para resolver, em vez de descobrir numa segunda-feira de manhã com a empresa parada.
Repita a cada seis meses, e sempre depois de mudar alguma coisa grande no sistema.
O que perguntar a quem cuida do seu servidor
Mande por e-mail e guarde a resposta:
- Qual a frequência do backup e a que horas ele roda?
- Onde ficam as cópias, e alguma está fora da empresa?
- Alguém é avisado quando a rotina falha? Como?
- Por quanto tempo as cópias antigas são guardadas?
- Qual foi a data da última restauração testada?
- Em quanto tempo a empresa volta a operar se o servidor morrer hoje?
A última é a mais importante, e é a que costuma vir com a resposta mais vaga. Insista até ter um número.
Vale lembrar que isso não é assunto só de quem tem servidor na empresa. Se o seu sistema é em nuvem, as perguntas continuam valendo — mudam só os responsáveis. Pergunte ao fornecedor o que acontece com os seus dados se você encerrar o contrato, e em que formato você consegue levá-los embora. A hora de descobrir isso é antes de precisar, assunto que entra também quando se pensa em trocar de sistema de gestão.
Perguntas frequentes
Com que frequência devo fazer backup?
Depende de quanto dado você aguenta perder. Backup diário de madrugada significa que uma falha às cinco da tarde custa o dia inteiro de lançamentos. Para quem emite poucas notas, tudo bem; para quem emite centenas, não.
Backup na nuvem é mais seguro que no servidor da empresa?
Não é questão de um ou outro — o ideal é ter os dois. O que torna a nuvem valiosa é ela estar fora da empresa e fora do alcance de quem invadir o servidor. Backup guardado na sala ao lado não sobrevive a incêndio, furto nem raio.
Como sei se o meu backup está funcionando?
Restaurando. Peça para restaurarem a cópia de ontem numa máquina separada e confira um dado que você conheça, olhando a tela do sistema. Relatório verde da ferramenta de backup não prova que os dados abrem.
Meu sistema é em nuvem, ainda preciso me preocupar?
Precisa, mudam só os responsáveis. Pergunte ao fornecedor o que acontece com os seus dados se o contrato encerrar e em que formato você consegue levá-los embora. A hora de descobrir isso é antes de precisar.